Reunião semanal do Heart Team do Ana Nery debate casos complexos

Foi realizada na manhã desta terça-feira, 14 de junho, mais uma reunião semanal do Heart Team (Time do Coração) do Hospital Ana Nery.

Formada por equipes de cirurgiões cardíacos, anestesistas, cardiologistas clínicos, hemodinamicistas, enfermagem especializada, engenharia clínica e direção médica, o Heart Team tem como foco discutir os casos mais complexos, nos quais a decisão de intervir de forma percutânea ou cirúrgica não está clara.

Nesta terça (14), foram discutidos os casos de quatro homens (48, 56, 59 e 81 anos) e uma mulher (com 68 anos).

Nas reuniões do Heart Team, cada apresentação é liderada pelo clínico líder da enfermaria, com a apresentação feita pelo residente. Todos podem opinar e, em caso de não haver consenso, o clínico líder pode conduzir de forma orientada pelos melhores interesses do paciente e sua família.

Para casos mais avançados, há a participação da equipe especializada de cuidados proporcionais e paliação.

Além disso, todas as reuniões são registradas e compõem um acervo para pesquisa e consulta de casos complexos conduzidos pelo hospital.

Confira a decisão do caso apresentado na reunião anterior:

– Mulher de 46 anos, portadora de hipertensão arterial (HAS), dislipidêmica, infarto agudo do miocárdio sem supra desnivelamento do segmento ST (IAMSST). Internada em 01/06/2022 em outro hospital, no qual foi admitida com quadro de dor torácica retroesternal com característica em aperto, de forte intensidade, com irradiação para dorso, associado à dispneia, palpitações, náuseas, sudorese, picos pressóricos elevados e com evolução para síncope no dia 07/04/22. Refere dor em repouso e aos mínimos esforços, sem fatores de melhora ou piora. Cursou com melena durante a internação, eletrocardiograma (ECG) com taquicardia sinusal e alterações na onda T; Cineangiocoronariografia (CATE) evidenciou lesões graves no Tronco de Coronária Esquerda (TCE) e na diagonal, além de leitos distais finos; ecocardiograma transtorácico (ECOTT) revelou hipocontratilidade da parede inferior e do segmento médio da parede anterior, fração de ejeção (FEVE) = 62% (Simpson) e disfunção diastólica de grau I.
Decisão do Heart Team: optado por realizar a regulação da paciente para o HAN para melhor avaliação do quadro clinico do paciente e assim, decidir qual será a abordagem da lesão: angioplastia coronária (ATC) de TCE > DA (descendente anterior) ou a cirurgia de RM (desfavorável devido o leito distal da DA frágil).

  • Mulher de 61 anos, HAS, refere quadro de pressão torácica há 2 anos, evoluindo para dor torácica do tipo aperto há 6 meses, graduada 5/10, sem fatores desencadeantes ou de piora, tendo como fator de melhora a utilização de mais 01 comprimido do medicamento Aradois (losartana potássica + hidroclorotiazida). Evoluiu com dispneia e sudorese aos médios esforços. Devido a esses sintomas buscou atendimento médico com cardiologista, o qual solicitou teste ergométrico e ECG. No teste teve a capacidade funcional avaliada em 6 (Escala de Borg), positivo para isquemia, além de desenvolver muita dispneia sendo necessário encaminha-la para o serviço de emergência. Nesse, realizou não só o CATE que evidenciou doença arterial coronariana (DAC) triarterial em DA, coronária direita (CD) e circunflexa (CX), mas também ECO que constatou disfunção diastólica do VE tipo I (alteração do relaxamento) e ponto de calcificação do folheto posterior da válvula mitral, diâmetro diastólico do ventrículo esquerdo (DdVE) 50,7; diâmetro sistólico (DsVE) 27 e FEVE 72,9% (Simpson). Logo, foi regulada para o HAN com a proposta inicial de realizar cirurgia de RM.
    Decisão do Heart Team: já que o paciente possui HAS controlada, não tem diabetes e a impressão é de um leito distal passível de RM, optado então por seguir com essa abordagem.
  • Mulher de 69 anos, HAS, passado de epilepsia – última crise em 2002, com história de perda ponderal progressiva (30kg em 6 meses), febres esporádicas sem outros sintomas infecciosos e dispneia progressiva iniciada em novembro de 2021. Procurou atendimento com médico cardiologista, o qual solicitou exames complementares. O ECOTT evidenciou espessamento e calcificação de grau importante em válvula aórtica com turbilhonamento de fluxo em via de saída do VE e FEVE 78%; o CATE resultou em ausência de estenose coronariana significativa; e o ECOTE constatou imagem sugestiva de endocardite e abcesso valvar com perfuração de válvula aórtica e insuficiência aórtica (IAo) de grau importante. Orientada a procurar serviço de emergência para iniciar antibioticoterapia e avaliação da cirurgia cardíaca. Então foi regulada para o HAN com o objetivo de realizar cirurgia de troca valvar aórtica (TVAo). Ao ser admitida no hospital, apresentou episódios de hipotensão, taquidispneia e dessaturação, foi internada na unidade cardiovascular 3, em uso de O2 baixo fluxo 1L/min via máscara não reinalante (MNR) com saturação de oxigênio (SatO2) de 98%, derrame pleural bilateral, pressão arterial (PA) 140x69mmHg, com dieta oral mais enteral e em antibioticoterapia.
    Decisão do Heart Team: apesar da paciente estar emagrecida e com endocardite infecciosa (EI) complicada no contexto, optado por seguir com cirurgia de TVAo.
  • Homem de 32 anos, portador de cardiopatia reumática, queixando-se de dor torácica e dispneia aos médios esforços, RNI 1,31, com importante insuficiência mitral (leak paravalvar de 5,7 mm com repercussão ecocardiográfica – dilatação cavitaria e disfunção sistólica do VE, diâmetro diastólico final do ventrículo esquerdo (DDVE) 87; diâmetro sistólico do ventrículo esquerdo (DSVE) 69; SI 9,0; P (espessura da parede ínfero lateral) (PP) 9,0; diâmetro da aorta (DAo) 28; diâmetro da átrio esquerdo (DAe) 59; FEVE 42% (s). Passado de dupla troca valvar por próteses biológicas e posterior dupla troca valvar por próteses metálicas. Paciente discutido anteriormente no Heart Team que optou por realizar ECO para avaliar a factibilidade do procedimento. Realizou ECOTE e AngioTC em 02/06/2022 que evidenciaram dilatação grave de câmaras esquerdas com FEVE de 40% (Simpson), prótese valvar mecânica em posição mitral, com boa mobilidade, com imagem sugestiva de leak periprotetico de formato ovóide/alongado, ocupando cerca de 40% da circunferência da prótese, constatando deiscência do anel da prótese, com afastamento de 0,5cm do anel valvar, ocasionando refluxo periprotético grave.
    Decisão do Heart Team: após o resultado dos exames, optou-se por seguir com a realização do fechamento percutâneo do leak mitral.
  • Homem de 81 anos, HAS, diabético insulinizado, com histórico de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) (sem sequelas), DAC triarterial estável, assintomático e funcional do ponto de vista cardiovascular, dislipidêmico (DLP), com doença renal crônica em estágio 5 (DRC-V), acompanhado em ambulatório de DRC do HAN em início de terapia renal substitutiva (TRS) por dialise peritoneal (DP). Internado no HAN em abril para realização de hernioplastia umbilical e implante de cateter de Tenckhoff (TK) (DP first), porém apresentou dor em abdome superior e pelve associados a edema escrotal durante a infusão para a lavagem da cavidade abdominal, sendo então internado para avaliação e reposicionamento de TK. Durante exames complementares se identificou aneurisma fusiforme nas artérias ilíacas comuns de 70 mm; ao CATE se notou lesões graves em DA e CX, além de oclusão crônica da CD; o ECOTT constatou fração de ejeção (Simpson): 49 %, disfunção diastólica grau I, esclerocalcificação da valva aórtica, insuficiência aórtica discreta, insuficiência mitral discreta e aumento moderado do átrio esquerdo.
    Decisão do Heart Team: na avaliação do risco perioperatório, e considerando o resultado do ECOTT com alterações segmentares e do CATE, optou-se por manter a coronária em tratamento clínico otimizado e seguir com abordagem endovascular do aneurisma.
  • Homem de 44 anos, apresenta insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) secundário à taquicardiomiopatia com melhora da FSVE após 6 meses com controle de frequência cardíaca (FC) (FE 37% >51%). O ECO evidenciou valvulopatia mitral com estenose mitral severa, além de insuficiência mitral leve com escore de Wilkins 8. Após tratamento acompanhado pelo cardiologista a classe funcional diminuiu de CF IV > CF I. Foi encaminhado para o HAN com o objetivo de realizar uma valvuloplastia mitral por balão.
    Decisão do Heart Team: encaminhar paciente para realização de um novo ECO, calculando o escore de Wilkins, e avaliar quadro clínico e resultado de ECO através do ambulatório de check-list cirúrgico.

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