Reunião semanal do Heart Team do Ana Nery discute casos complexos de pacientes

Foi realizada na manhã desta terça-feira, 16 de novembro, mais uma reunião semanal do Heart Team (Time do Coração) do Hospital Ana Nery.

Formada por equipes de cirurgiões cardíacos, anestesistas, cardiologistas clínicos, enfermagem especializada, engenharia clínica e direção médica, o Heart Team tem como foco discutir os casos mais complexos, nos quais a decisão de intervir de forma percutânea ou cirúrgica não está clara.

Nesta terça, foram discutidos os casos de dois homens, de 71 e 49 anos, e uma mulher de 67.

Nas reuniões do Heart Team, cada apresentação é liderada pelo clínico líder da enfermaria, com a apresentação feita pelo residente. Todos podem opinar e, em caso de não haver consenso, o clínico líder pode conduzir de forma orientada pelos melhores interesses do paciente e sua família.

Para casos mais avançados, há a participação da equipe especializada de cuidados proporcionais e paliação.

Além disso, todas as reuniões são registradas e compõem um acervo para pesquisa e consulta de casos complexos conduzidos pelo hospital.

Confira as decisões dos casos apresentados na reunião anterior:

– Mulher de 71 anos, paciente hipertensa, diabética, fração de ejeção (FEVE) 55% e tabagista, encaminhada ao Hospital Ana Nery (HAN) após quadro de dor torácica associada a dispneia, sendo admitida em outro hospital apresentando edema agudo de pulmão (EAP), apresentou curva de troponina descendente e ao eletrocardiograma (ECG) apresentava bloqueio do ramo esquerdo (BRE) + ZEI em parede inferior. Submetida a cateterismo (CATE) em 05/10/21, evidenciada doença arterial crônica (DAC)tri arterialcoronária direita (CD)com lesão segmentar de 90% no terço médio, descendente anterior (DA) com lesão de 80% na origem + lesão de 70-80% no terço médio + 50% no terço distal, circunflexa (Cx) com lesão de 70% no terço médio, 1º marginal (Mg) com lesão de 70% na origem, 2ºMg de grande importância com lesão de 90% no terço proximal.
Decisão da equipe: Caso discutido para avaliação de possibilidade de revascularização miocárdica (RM) cirúrgica considerando os leitos distais. Após discussão, paciente foi considerada como apta para cirurgia cardíaca.

– Homem de 64 anos, hipertenso, diabético, dislipidêmico, tabagista astenia há 1 mês, FEVE 65,3% e com história de artrite gotosa. Infarto agudo do miocárdio sem supra de ST em 29/09/21, apresentando CATE realizado no HAN em (05/10/21) com padrão tri arterial: artéria CD dominante, lesão de 50% no terço proximal e lesão segmentar de 50% no terço médio. Ramo ventricular posterior com irregularidades parietais. Ramo descendente posterior com lesão de 70% no terço proximal. TCE bifurcado e com irregularidades parietais. ADA com lesão de 40% no terço proximal e lesão segmentar de 80% no terço médio. Primeiro ramo diagonal de grande importância com lesão de 70% na origem. Cx apresenta irregularidades parietais. Segundo marginal ocluído no terço médio. Circulação colateral grau II da CD para ramo marginal. Coronárias com padrão de lesão tri arterial.
Decisão da equipe: Caso trazido para discussão, considerando a factibilidade de prosseguir com a RM cirúrgica pela questão de leito distal ruim de ADA e Mg. Optado por manter em tratamento clínico e acompanhamento ambulatorial.

– José Homem de 73 anos, IAMCSST de parede antero-septal / Killip 1 em 28/10/21, apresentando padrão tri arterial com lesão grave em TCE (90% 1/3 distal). STS: mortalidade = 8.15% / morb/mortalidade = 33.34% e EURO 6%. Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida de etiologia isquêmica (25%), trombo de VE 3,8 X 2,0 cm e amaurose à direita.Paciente com lesão em grave de TCE, porém com certa fragilidade e disfunção ventricular importante. Decisão da equipe: Discussão iniciada com proposta cirúrgica pelo clínico líder, porém, após discussão, optado por ATC de TCE.

– Homem de 55 anos, previamente hipertenso e dislipidêmico. IAMCSST de parede inferior, killip 1 com padrão tri arterial com lesão de TCE 90%, realizou angioplastia (ATC) de CD com 02 stents farmacológicos em 01/11/2021. Avaliado EUROscore como risco intermediário (3 pontos), STS Mortality: 0,905% morbidade e 8,739% de mortalidade.
Decisão da equipe: Paciente trazido com proposta cirúrgica, avaliando melhor estratégia de tratamento das lesões residuais. Optado por abordagem cirúrgica nesta internação com suspensão de clopidogrel (será avaliado tempo) e utilização de Tirofiban até momento da cirurgia.

– Mulher de 80 anos, hipertensa, hipotireoidismo, com intolerância à IECA e FEVE 40%. Internou após um IAMCSST em parede septal em 06/11/2021, quando no mesmo dia realizou ATC do 1° diagonal com 01 stent farmacológico.
Decisão da equipe: Proposta inicial percutânea de lesões residuais, porém, após discussão clínica e avaliação da anatomia coronariana, foi optado por manter a paciente em tratamento clínico.

– Mulher de 29 anos, com história de febre reumática e dupla troca valvar em 2013 por próteses biológicas. Passado de ascite recorrente e fibrilação atrial no pós-operatório. Hipertensa, caquexia, amenorreia secundária à anemia + perda de peso e IC valvar classe funcional IV/IV perfil B. Há 2 meses evolui com dispneia, associada à edema em membros inferiores e aumento do volume abdominal, sendo internada em outra instituição para compensação da insuficiência cardíaca. Em ecocargiograma,evidenciado trombose de prótese mitral e transferida para HAN com proposta cirúrgica. FEVE 56% (Simpson). EUROscore alto risco (13 pontos) e STS score de mortalidade 6,97% e morbidade ou mortalidade 33,298%. Paciente com caquexia e múltiplas cirurgias prévias.
Decisão da equipe: Considerando risco x benefícios, foi decidido manter antibióticos por 6-8 semanas e rediscutir sobre indicação cirúrgica.

– Mulher de 47 anos, hipertensa, ICFER (32% Teicholz) e implante de endoprótese de aorta torácica secundário dissecção em 2011. Em 01/11/2021 foi admitida com queixa prévia de dor torácica e abdominal associada à dor em membros inferiores, principalmente em membro inferior direito. Evidenciada oclusão em artéria ilíaca direita.
Decisão da equipe: caso chegou com proposta cirúrgica de revascularização ilíaco-femoral direita, tendo como decisão consensual, por manter proposta.

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